Julho de 1889

Julho de 1889

18 de julho
Vim de bordo, aonde fui acompanhar os dois, com o velho Aguiar, o Desembargador Campos e outros amigos. D. Carmo foi só até o cais; estava sucumbida, e enxugava os olhos. Ficou parada, a ver a lancha em que íamos, dizendo adeus com o lenço; năo tardou que o espaço nos separasse inteiramente da vista.
Fidélia ia realmente triste; o mar năo tardaria em espancar as sombras, e depois a outra terra, que a receberia com a outra gente. Eu, no tombadilho do paquete, imaginei o cemitério, o túmulo, a figura, as măos postas e o resto. Tristăo, ŕ despedida, disse palavras amigas e saudosas a Aguiar, mandou outras para a madrinha, e a mim pediu-me que năo esquecesse os pais de empréstimo e os fosse ver e consolar. Prometi que sim. Descemos para a lancha e afastamo-nos do paquete.
Tenho embarcado e desembarcado muitas vezes, devia estar gasto. Pois năo estou. Năo sentia a separaçăo, é verdade; trazia os olhos no velho Aguiar e o pensamento na velha Carmo. Quanto ao desembargador vinha triste com a separaçăo, mas a sobrinha obrigou-o a prometer, ŕ última hora, que iria vę-la no ano próximo, e ele năo advertiu que o pedido desdizia da promessa que lhe tinha feito de regressar no fim do ano ao Rio de Janeiro.
Despedimo-nos no cais. Aguiar seguiu para o Banco, eu vim para casa, onde escrevo isto. De noite irei ao Flamengo, a cumprir desde já a promessa que fiz a Tristăo e a Fidélia.
Năo acabarei esta página sem dizer que me passou agora pela frente a figura de Fidélia, tal como a deixei a bordo, mas sem lágrimas. Sentou-se no canapé e ficamos a olhar um para o outro, ela desfeita em graça, eu desmentindo Shelley com todas as forças sexagenárias restantes. Ah! basta! Cuidemos de ir logo aos velhos.
Dez horas da noite
Venho do Flamengo. Quisera ficar mais tempo, mas eles precisavam descansar da separaçăo. Campos também lá foi, e ambos saímos cedo, nove e meia; năo se falou dos viajantes.