Capítulo XII

CAPÍTULO XII
Quinze dias depois, Procópio Dias apareceu em casa de Jorge com luto no vestuário e no rosto. De Buenos Aires chegara-lhe na véspera, à tarde, a notícia da morte de um irmão, seu último parente, notícia que o obrigava a embarcar no dia seguinte e demorar-se no Rio da Prata cinco a seis semanas. Não se pode dizer que ele estivesse triste; estava sério, — sério e preocupado. A viagem a Buenos Aires não tinha por fim o cadáver do irmão, mas a herança, que posto não fosse grande, valia alguma coisa.
Procópio Dias ofereceu seus serviços ao filho de Valéria, que de sua parte prometeu-lhe algumas cartas de apresentação, se precisasse. Procópio Dias aceitou uma. Jorge levou-lha no dia seguinte. Ele recebeu-a com demonstrações de agradecido e quase terno. E depois de um momento de silêncio:
— Já agora entrego-lhe pessoalmente esta carta, que devia ser levada amanhã por um portador.
Jorge quis abrir: — Não, acudiu o outro; prometa-me que só a abrirá amanhã.
— Por que não hoje de noite?
— Podia ser hoje de noite; mas é bom que entre a impressão da despedida e a leitura desse papel decorra o espaço da noite e o sono. Talvez seu juízo seja diferente.
Jorge prometeu. Procópio Dias partiu. No dia seguinte abriu a carta e leu estas poucas palavras: “Seja o meu anjo da guarda durante a minha ausência”.
— Por que não? disse ele consigo.
De tarde, saiu a cavalo, costeando o aqueduto, segundo costumava, e ia pensando seriamente na conveniência de casar os dois. Naquelas duas semanas tivera tempo de apreciar um pouco as qualidades da moça, que lhe pareceram boas, conquanto lhe achasse também alguma coisa original, misteriosa, ou romanesca, muito acima da compreensão ou do sentimento de Procópio Dias. Jorge não se iludia acerca da paixão do pretendente; supunha-a sincera, mas não lhe atribuía a virgindade das primeiras ou das segundas comoções: era uma paixão da última hora, um ocaso ardente e abraseado entre o dia que lá ia, e a noite que não tardava a sombrear tudo. Ainda assim a aliança lhe parecia conveniente. Iaiá possuía decerto a força necessária para dominar desde logo o marido; e o titão encadeado teria ao pé de si, em vez de um abutre a picar-lhe o fígado, uma formosa rola destinada a prolongar-lhe as ilusões da juventude.
Se eram boas as impressões que Iaiá lhe deixava nos últimos dias, não eram ainda assim isentas de algum enfado, aliás passageiro. Uma ou duas vezes, Iaiá lhe pareceu singularmente áspera, e sem motivo nem duração. Esses assomos, porém, eram logo compensados por uma afabilidade, que parecia mais viva, mais ruidosa, talvez um pouco importuna. Ocasião houve em que Estela disse à enteada, com um sorriso de repreensão: — Não amofines o Sr. Doutor Jorge. Não compreendeu Jorge por que motivo essa palavra simples, dita em tom brando, deu ao rosto de Iaiá uma expressão indignada; lembrava-se porém que a expressão foi passageira, e que ela passou do singular amuo à habitual alegria: — Bem vê, replicou Estela, bem vê que é uma criança.
Jorge ia assim a refletir, e já de volta, quando ouviu uma voz que dizia o seu nome. Era Iaiá que descia da casa da velha ama. Jorge parou o cavalo.
— Em que vai pensando? disse ela.
— Na senhora, respondeu o moço afoitamente, depois de verificar que ninguém os podia ouvir.
Iaiá caminhou até à rua, acompanhada de um homem velho, o irmão de Maria das Dores.
— Que anda fazendo aqui? continuou Jorge inclinando o busto sobre o pescoço do cavalo.
— Vim visitar a Maria das Dores. Coitada! está tão abatida!
— Bem; eu logo lhe direi o que é; vá ver a doente.
— Já a vi; volto agora para casa. O Sr. João vai acompanhar-me.
Jorge apeou-se.
— Deixa-me acompanhá-la também? perguntou.
— Deixo; mas é só por ser curiosa. Quero saber o que ia pensando a meu respeito. Vamos, Sr. João?
Jorge enfiou a rédea no braço e colocou-se ao lado dela; Iaiá tomou-lhe afoitamente o outro braço.
— Vá, conte-me tudo.
— O Procópio Dias embarcou hoje.
Iaiá, que ia havia dado os primeiros passos, estacou.
— Para onde? disse.
— Para o Rio da Prata; morreu-lhe um irmão em Buenos Aires.
—Mas sem se despedir de nós!
— Naturalmente, custava-lhe fazê-lo, e quis poupar-se à dor da separação. Esteve porém comigo, e prometeu-me que a demora seria curta. Vi-o muito aflito com a viagem, tão aflito que não sei se lhe diga que era... era, decerto, era maior a dor da viagem do que a da morte do irmão. Talvez lhe faça injúria nisto, mas parecia.
— Por quê? perguntou a moça erguendo os olhos para ele.
— Não sei se lhe deva dizer por que, acudiu Jorge. E daí, não se tratando de nenhuma coisa do outro mundo... É verdade que as moças bonitas, como a senhora, costumam ser cruéis... Não sei... Há situações um pouco...
— Ridículas, concluiu Iaiá.
— Como ridículas?
— Por exemplo, a sua.
Jorge enfiou um pouco; mas a um homem de sociedade, Iaiá não parecia de força a fazer perder o equilíbrio. Sorriu levemente e retorquiu sem azedume:
— Não é ridículo ser afetuoso; eu cuidava responder à linguagem de seu coração.
— Supunha que a ausência de Procópio Dias me deixava saudades...
— Supunha.
— Que tem o senhor com isso?
A resposta de Jorge foi um simples gesto negativo. Contudo, não pôde zangar-se, porque sentia tremer o braço da moça, e olhando de esguelha para ela via-a pálida e com os olhos no chão. Se a palidez e o tremor eram de cólera, não chegou a sabê-lo; mas provavelmente não era outra coisa, porque ao cabo de três a quatro minutos, Iaiá ergueu os olhos e estendeu-lhe a mão, dizendo:
— Façamos as pazes.
— Nunca estivemos em guerra, acho eu.
— Talvez em véspera de guerra.
— Não por culpa minha...
— Nem minha, acudiu a moça. E erguendo o chapelinho de sol para o céu: — Talvez por culpa daquele, disse ela suspirando.
Após o suspiro, veio uma risadinha seca e forçada, mas longa ainda assim com o som de um golpe de cristal. Tinham andado poucos minutos e esses poucos eram já de sobra para espertar a curiosidade de Jorge, e para lhe dar direito a pedir uma explicação. Jorge pediu-lha em termos afetuosos, perguntando por que razão era o Céu culpado em uma guerra que devia romper entre ambos, e sobretudo qual seria o pretexto dessa guerra. Iaiá refletiu um instante, e começou a falar com os olhos baixos.
— O motivo é o senhor mesmo, disse ela.
— Eu?
— O senhor, que é meu inimigo, que me detesta. Não me dirá que mal lhe fiz eu? continuou ela erguendo subitamente os olhos. Escusa fazer esse gesto de espanto; sei que o senhor me detesta, e por mais que pergunte a mim mesma — não sei, não me recordo... Diga, fale com franqueza.
— Tanto melhor! exclamou Jorge. Vejo que havia entre nós um equívoco e é chegada a ocasião de o desfazer. Quer que lhe fale com franqueza? O inimigo não sou eu, é a senhora; é a senhora, ou antes, era ou parecia ser. Agora compreendo; retribuía-me a aversão que supunha haver em mim. Tanto melhor! Façamos as pazes de uma vez.
Iaiá apertou a mão que ele lhe ofereceu e chegaram alegremente a casa. Jorge quis retirar-se logo, mas a moça ordenou a Raimundo que conduzisse o cavalo, e Jorge foi compelido a entrar por alguns minutos. Luís Garcia não estava em casa. Estava o Sr. Antunes. Iaiá mal deu tempo aos primeiros cumprimentos. — Ande jogar comigo, disse ela.
— Em boa paz?
— Em boa paz.
Iaiá preparou o xadrez, no gabinete contíguo à sala; Jorge sentou-se pacientemente diante da adversária, retificou a posição de duas peças, excluiu as que lhe dava de partido e adiantou o primeiro peão.
— Vá, disse; é a sua vez.
Iaiá não obedeceu ao convite. Olhava para ele, com ar inquieto.
— Dá-me sua palavra de honra de que me não negará o que lhe vou perguntar? disse ela ao cabo de alguns instantes de silêncio.
Jorge hesitou um pouco.
— Conforme.
— Exijo.
— Que me pedirá ela que lhe não possa afirmar? pensou Jorge. Em voz alta respondeu:
— Dou.
— Foi ele quem lhe encomendou...
— O sermão? interrompeu Jorge sorrindo. Serei franco; foi ele mesmo.
Iaiá baixou os olhos ao tabuleiro, cavalgou a torre com o bispo, como distraída, e em voz ainda mais baixa do que lhe falara, perguntou:
— O senhor é homem de segredo?
— Sou, redargüiu afoitamente Jorge.
— Pois bem, continuou Iaiá, eu gosto dele, gosto muito, mas não desejo que ele saiba.
— Deveras? não está gracejando?
— Não estou.
Jorge estendeu-lhe a mão: — Magnífico, disse ele alegre; não é preciso mais. Uma vez que se amam, virão naturalmente a...
Não pôde acabar, porque a moça, erguendo-se de súbito, afastou-se da mesa, com um arremesso, e dirigiu-se à janela, que dava para o jardim. Jorge ficou espantado. Não entendia o que estava vendo. Inclinou-se sobre o tabuleiro e começou a mover as peças, sozinho, sem plano, maquinalmente. Assim jogando, ouvia o som do tacão de Iaiá que feria o ladrilho do chão, com um movimento precipitado e nervoso. Durou isto cinco minutos. Iaiá voltou-se para dentro, saiu da janela, e aproximou-se da mesa. Jorge ergueu então a cabeça para ela e sorriu.
— Não me dirá que lhe fiz eu, para ficar tão zangada comigo? perguntou com benevolência.
— Nada; eu é que fui estouvada e não sei se mais alguma coisa.
Jorge protestou que não. — Foi ríspida somente, disse ele; e se o foi sem querer, não foi sem motivo. Não me dirá que motivo é esse? Parece-me que não a tratei mal...
— Não.
— Nesse caso, o motivo está na senhora mesma; e se eu não tivesse medo de que se zangasse outra vez comigo, atrevia-me a pedir-lhe que me dissesse tudo — ou pelo menos alguma coisa.
— Para quê? Vamos jogar.
— Está escurecendo.
— Mando vir luzes.
Vieram luzes; começaram a jogar. Entre eles o xadrez não podia oferecer interesse, mas dado que pudesse, não seria naquela ocasião. Um e outro estavam distraídos e preocupados. A primeira partida foi concluída, em pouco tempo, quase sem cálculo.
— Outra? perguntou Iaiá.
— Vamos.
— Antes de começar, disse ela colocando as peças, e sem olhar para Jorge, quero dizer que tem um meio seguro de nunca brigar comigo.
— Qual é?
— É ser meu confidente.
— Senhor de seus segredos?
— Todos.
— O meio é fácil; só eu ganho na troca.
— Nisso dou prova de grande coração.
Já não era a menina ríspida de alguns instantes; dissera as últimas palavras com muita graça e placidez. Ao mesmo tempo, continuava a arranjar metodicamente as peças. Acabou e reclinou-se no dorso da cadeira.
— Não me declarou ainda se aceitava, disse ela.
Jorge hesitou um instante. Era gracejo ou proposta séria? A um gracejo responde-se com outro, a uma proposta responde-se com seriedade. Jorge hesitava em tomar sobre os ombros uma parte de responsabilidade dos sentimentos da moça. Quais seriam eles? Que projetos despertariam naquele cérebro provavelmente indomável? Não podiam ser outros senão os de casamento com Procópio Dias, visto que ela confessava amá-lo. Esta reflexão fê-lo declarar afoitamente que aceitava a confidência.
— Sabe o que aceita? perguntou Iaiá.
— Farejo.
—Toque! disse ela estendendo-lhe a mão.
Jorge deu-lhe a sua.
— Não se trata em todo caso de nenhum assassinato? perguntou rindo.
— Não.
A segunda partida foi mais animada, mas só por parte de Iaiá. A moça ria às vezes, mas a maior parte do tempo fazia convergir toda a sua atenção para o jogo. Quando falava, era moderada e dócil. Essa alternativa e contraste de maneiras interessava naquele momento o espírito de Jorge. Que espécie de mulher fosse, imperiosa como uma matrona, travessa como uma criança, incoerente e enigmática, era coisa que ele não podia em tão pouco tempo descobrir; mas o enigma aguçava-lhe a atenção. Enquanto ela tinha os olhos no tabuleiro, Jorge buscava ler-lhe a alma na fronte lisa e cândida; mas não via a alma, via só uns fiapos castanhos do cabelo, que lhe caíam sobre a testa e esvoaçavam levemente ao sopro da aragem que entrava pela janela, e lhe davam um ar de puerícia. A boca fina e pensativa corrigia aquela expressão da cabeça; era a primeira vez que ele lhe descobria um forte indício de energia e tenacidade.
Quando era a vez de Jorge, Iaiá afastava o busto, reclinava-se no espaldar da cadeira e ficava a olhar para ele, como ele havia olhado para ela. Mas nesse olhar não cintilava curiosidade; era uma luz velada e baça, como alheia ao mundo exterior. Encontravam-se assim os olhos de um e de outro, e a partida continuava, até chegar ao fim sem novo incidente.
Prestes a acabar, Estela entrou no gabinete, sem os interromper. Sentou-se caladamente a um canto da janela. O jogo cessou no momento em que entrou Luís Garcia.
— Perdi duas partidas, papai, disse a moça; mas por um triz não ganhei a segunda.
Jorge quis sair logo depois; foi obrigado a demorar-se, porque Iaiá lembrou-se de ir tocar piano. Era a primeira vez que Jorge conseguia ouvi-la. A moça escolheu uma página de Meyerbeer; Jorge confessara uma vez que era esse o autor de sua predileção.
No dia seguinte a impressão deste era um tanto complexa e perplexa. Aquela mistura de franqueza e reticência, de agressão e meiguice, dava à filha de Luís Garcia uma fisionomia própria, fazia dela uma personalidade; mas a fisionomia era ainda confusa e a personalidade vaga. Jorge sentia-se empuxado e retido, ao mesmo tempo, por dois sentimentos contrários; tinha curiosidade e repugnância de penetrar o caráter da moça, e conhecer e distinguir os elementos que o compunham. O que lhe parecia claro e definitivo era que as primeiras palavras de Iaiá, tão duras e tão secas, não passavam de uma expressão de despeito, por supor da parte dele a aversão que não existia; e se as palavras em si o magoavam, a explicação lisonjeava-lhe o amor próprio. O resto era inexplicável. Jorge resolveu, entretanto, não lhe falar mais de Procópio Dias, apesar da confissão aliás contrastada ou diminuída pelo gesto que se lhe seguiu.
Iaiá pareceu perder a disposição agressiva; à força de afabilidade apagou inteiramente os vestígios da antiga rispidez. A alma não se lhe tornou mais transparente, nem o caráter menos complexo; mas a esquisita urbanidade dos modos fazia suportáveis os saltos mortais do espírito, e aumentava o interesse do que havia nela obscuro ou irregular; finalmente, era um corretivo à tenacidade com que a moça confiscava literalmente o filho de Valéria. Jorge estimou, sobre todas, esta circunstância, porque lhe tornou mais fácil a freqüência da casa. Ele pertencia ao pai ou à filha — muitas vezes aos dois. Iaiá atirou-se ao xadrez com um ardor incompreensível, e dizendo-lhe Jorge que era preciso ler alguns tratados, ela pediu-lhe um, e porque ele só os tivesse em inglês, Iaiá pediu-lhe que lhe ensinasse inglês.
— Mas eu sou um mestre muito ríspido, observou ele.
— A discípula é muito pior.
Estela assistia algumas vezes às lições do idioma e do jogo; — duas coisas que lhe pareciam incompatíveis com o espírito da enteada. Verdade é que Iaiá mudara tanto naquelas últimas semanas! Não lhe supusera nunca tão longa paciência, nem tão repousada atenção. Iaiá gastava uma a duas horas por dia a decorar os verbos e os substantivos da nova língua, e essa paixão recente tinha o condão singular de irritar a madrasta. Jorge, pelo contrário, sentia em si os júbilos do pedagogo. O professor é o pai intelectual do discípulo; Jorge contemplava paternalmente aquela inteligência fina, paciente e tenaz servida por dois olhos de pomba e duas mãos de arcanjo.
No meado de fevereiro tornaram a falar de Procópio Dias, a propósito de uma carta que Luís Garcia recebera.
— Veja lá, disse a moça; ele escreveu a papai e nem uma palavra especial para mim. “Lembranças a D. Estela e a Iaiá.” Nada mais. Ele escreveu-lhe?
— Até agora, não.
— Não há nada como a ausência para fazer esquecer tudo — isto é, esquecer os que ficam. Talvez já não pense em casar comigo. Foi um capricho que passou, como todos os caprichos; foi como a chuva de ontem, que deu apenas alguns salpicos de nada. E contudo parecia que vinha abaixo o Céu. Não é? a paixão dele não é como a trovoada? ameaçou no Rio de Janeiro e foi cair em Buenos Aires. Aposto de vem de lá casado. Verá que não é outra coisa. Que me diz a isso? Vamos; diga alguma coisa.
— Não posso, redargüiu Jorge. A senhora deu-me o cargo de confidente e não de conselheiro; limito-me a ouvi-la. Verdade é que o tal cargo até agora parece simples sinecura.
— Que é sinecura?
Jorge sorriu e definiu-lhe a palavra.
— Não é sinecura, acudiu Iaiá; pelo contrário, é um cargo muito espinhoso.
— Não creio. A confidência única até hoje não me pareceu sincera. A senhora não ama o Procópio Dias.
Iaiá franziu a testa.
— Por que me diz isso?
— Porque, se o amasse, falaria de outro modo, e, sobretudo não falaria tanto. O amor, nessa idade, vive de reticências, não de frases e menos ainda de frases tão compostas.
— Cale-se! Interrompeu ela batendo-lhe com a gramática na ponta dos dedos. E depois de uma pausa: — Se ele lhe escrever, mostra-me a carta?
Como Jorge lhe dissesse que sim, Iaiá fez um movimento para rasgar o volume em dois pedaços. Jorge perguntou-lhe o que tinha. — Nervoso! respondeu a moça, sacudindo os ombros com um calafrio. Depois, como a amparar-se, lançou-lhe a mão a um dos pulsos. Jorge sentiu a pressão de uns dedos de ferro; e parece que outros dedos invisíveis também comprimiam as faces da moça, vermelhas como se vertessem sangue.